Após cerca de quatro meses (bem medidos), a new biginning para a Blitzkrieg. Largas dezenas de comentários e posts, milhares de visitas, dezenas de links, uma nomeação no suplemento Bits & Bytes do JN e 24 Horas tudo somado faz com que o saldo seja positivo.No entanto, resolvemos mudar de endereço. Agradecíamos que alterassem o endereço da Blitzkrieg dos vossos links ou que juntassem ao ANTIGO o NOVO e que, se possível, divulgassem a mudança como e quando pudessem.
Estamos a reagrupar as tropas e preparamo-nos para mudar de instalações. Desenvolvimentos dentro de pouco tempo.
Parabéns pela publicação do livro do Blog homónimo da Rititi sobre Madrid, as fufas, os pêlos por depilar, as mamas, a vizinha, a gata Lucrécia, Mr. Pinheiro, as dores de rins, os copos e os chiribitis. Apesar de mulher ela consegue ter mais tomates do que os políticos portugueses.
Em virtude do gosto generalizado, da Blitzkrieg, pelo cinema (Bergman, D. Jarman e filmografia russa) anunciamos alguns temas de nomenclatura cinéfila brevemente a serem tratados neste espaço, com um especial enlevo pelo universo da pornografia:
- A importância do pintelho no cinema de César Monteiro.
- A importância das cenas de acção no cinema de Manoel de Oliveira.
- Seria possível o cinema de Manoel de Oliveira se não existissem os duplos de cinema?
- Subsídios: só existem para conhecidos?
- Cinema português: preferimos modelos boas a bons actores.
- Relações entre a narcolepsia e o cinema português.
- Análise hermenêutica dos diálogos dos filmes de Stallone.
- A importância de um bom argumento nos filmes pornográficos.
- John Holmes... esse gigante.
- Filmes pornográficos: contributos da emigração ilegal.
- Filmes pornográficos: bandas sonoras de sempre.
- Filmes pornográficos: a necessidade de um bom backstage.
- Filmes pornográficos: a importância da duração.
- Filmes pornográficos: o tamanho conta?
- Filmes pornográficos: tens para trocar?
- Filmes pornográficos: truques de casting.
Enquanto não chega o dia podem consultar especialistas.
O mundo masculino e o feminino são irremediavelmente diferentes. Até à enxaqueca crónica! Para visualizar melhor a situação imaginem que vão de carro e encontram uma fronteira tipo Vilar Formoso. Dum lado damos de caras com o mundo feminino no outro batemos com o lombo no mundo masculino.
Imaginando o mundo feminino ele será, sem dúvida, cor de rosa, aromatizado, aclimatizado sem mácula, todos os seus habitantes terão a roupa a condizer, andarão obrigatoriamente de barba feita e as casas serão asseadas e com estantes com objectos arrumados por tamanhos, espécies, proveniências e anos. As flores pululam por toda a parte, em cada esquina haverá vendedores de acessórios e todas as ruas terão lojas de roupa das melhores marcas. Só as mulheres terão cartão de crédito o qual, por lei, não poderá ser controlado pelo marido. Também por decreto-lei fez-se saber que as mulheres devem ser acompanhadas, para todo o lado, pelas amigas. Neste mundo a sogra é uma espécie protegida e devido às medidas proteccionistas implantadas o seu número aumentou substancialmente sendo possível, no momento em que falamos, reproduzir sogras em cativeiro com um assinalável sucesso. No mundo feminino a dor de cabeça não será uma desculpa e passará a ser considerada um estado de espírito. Passará mesmo a existir o estatuto de objector sexual. Neste mundo não existirá a lei do fora de jogo, aliás o futebol a existir será transmitido no intervalo das telenovelas. Todos os carros terão a mesma cilindrada e não saber estacionar será uma coisa boa. No mundo feminino tudo será agrupado entre o «fofo» e o «não fofo», o «querido» e o «não querido». Exclui-se o «amoroso» que é uma designação com estatuto próprio. Em virtude do mundo feminino não ser totalmente auto-suficiente estabelece trocas comerciais com o mundo masculino. No entanto, as trocas estão estabelecidas ao nível dos serviços: mudar pneus, carregar a botija do gás (em zonas onde o gás não seja canalizado), arranjar o carro, etc.
O mundo masculino é caoticamente organizado. As ruas têm ecrãs gigantes onde durante 24 horas são transmitidos jogos das mais variadas modalidades. A cerveja é considerada bebida medicinal e, como tal, comparticipada pelo estado. O striptease, por seu turno, é considerado uma ferramenta pedagógica. Como, ainda, não consigo sobreviver sem o mundo feminino este documento autodestruir-se-à dentro de momentos e todo o ficheiro será apagado do disco rígido...10, 9, 8, 7, 6, 5...
Dedicado a todos os que, como eu, já atingiram a trintanidade.
Durante a infância ensinavam-nos, alguns procedimentos e conhecimentos, essenciais, que nos permitiam chegar à idade adulta: que os comunistas comem criancinhas e devem ser evitados; que se não deglutirmos, sem resistência, a sopa ou não atingirmos os índices desejados de ingestão de vegetais, aparecerá na nossa vida um homem com uma saca para nos levar; que a não atenção às orações hipoteca-nos qualquer possibilidade de paraíso, etc,etc. Passado este período de importantes aprendizagens chegava-se à adolescência. Stephen King tem uma ideia muito interessante quanto a este período: quem sente saudades dele deve ser alvo de desconfiança. Não poderia estar mais de acordo, tanto que nem o vou beliscar. Quem, no seu perfeito juízo, sente falta dum período hormonalmente intranquilo em que se tem a cara repleta de um irrequieto acne, das mais variadas formas, que preenche toda a cara, em que só se pensa em masturbação e em não morrer virgem. Adiante, bolas. Passada a puberdade, e o que lhe sucede, daí até se atingir os trinta é um ápice. Obviamente um ápice com custos: dilatação abdominal (vulgo barriga), uns quantos cabelos brancos e/ou acentuar das entradas,etc, etc. É o princípio da decadência anunciada que os trinta anos acarretam. A idade da final quebra da inocência. Os trinta são uma pesada instituição. Marcam um amadurecimento forçado, provocado pelo barrigão da mulher, a compra da casa e do carro com que nunca devíamos ter travado conhecimento. Marcam a fronteira para a crise dos quarenta e a inveja dos vintes. Os trintões formam um grupo. Uma elite implacável que ostraciza os enjeitados, idolatra os bem sucedidos, rejeita os encalhados e teme os solteirões convictos. Se quisermos arranjar uma expressão que caracterize a atitude dos que chegaram à casa dos trinta temos que criá-la, podemos chamar-lhe: trintanidade - insanidade própria dos que atingiram os trinta anos. A palavra nasce da sucção da insanidade dos que têm trinta anos mas que, ainda há pouco se passeavam pelos vinte. A trintanidade representa a insanidade aglutinadora dos trinta anos que faz esquecer a mágoa do desaire de deixar para trás os vinte. É uma loucura higienicamente desinfectada pelo decoro e responsabilidades recentemente adquiridas. Os trinta anos são a inveja de quem tem quarenta, a obsessão de quem ultrapassou os vinte e nove e o pesadelo de quem vê aumentar ameaçadoramente os dígitos ao algarismo vinte. São, provavelmente, o período mais indesejado, ou pelo menos mais incompreendido da vida de qualquer humano, no entanto é inevitável a sua passagem.
P.S:
Ferramentas úteis: Glossário do trintão.
Bem sucedidos - Todos os que conseguiram amealhar um pecúlio de vitórias que fazem gosto de esfregar nos egos alheios.
Enjeitados - Os rejeitados pelo sucesso. Os espoliados da bem-aventurança. Geralmente são embaraçosamente excluídos do trato social.
Flausina - Membro antigo do leque de amizades que, no jantar de curso, se fica a saber ter uma actividade sexual mais colorida do que a convencional.
Grupo dos encalhados - Englobam-se neste grupo aqueles que, sem darem conta, foram ficando para tios ou tias.
Jantares de Curso - Incómoda prática social entre os trintões, habilmente insinuada sempre pelas mesmas pessoas, com o mui nobre fim do convívio. A evitar.
O meu tempo - Expressão representativa do período em que o trintão, supostamente, esmagava os incautos com o seu esplendor. Em termos estilísticos pode ser considerada uma hipérbole.
Solteirões convictos - Conjunto de indivíduos, mais ou menos bem parecidos, e bem sucedidos entre o belo sexo. Causa de inveja entre o trintão pai de família pouco convencido.
A homenagem sentida, embora tardia, a um homem que tanto deu à RTP e que ajudou a colocá-la onde ela está. Um homem a quem o share não preocupava.
Há marcas que ficam para sempre. Há fases que são inesquecíveis. Há nomes que são incontornáveis. Luís Pereira de Sousa (LPS) será, sempre, um desses nomes. Para as gerações mais novas o nome nada dirá mas a televisão nunca mais foi a mesma em Portugal desde que LPS ingressou nas fileiras da RTP para de corpo (pouco) e alma (que pouco o ajudou visto não estar demonstrada a existência) se dedicar ao serviço público. A caixa mudou o mundo e LPS mudou a caixa (felizmente só a portuguesa), irremediavelmente. Luís Pereira de Sousa é o Vítor Espadinha da TV. Está para o directo como o TV Rural está para a agricultura ou como Ed Wood está para o cinema. A sua fraca figura e o seu pouco cabelo não permitiam adivinhar o portento televisivo que se escondia por entre os cabos dos microfones, onde por regra se embrulhava. Quem não se lembra dele na Feira Popular a emitir para a RTPI? A história apresentará LPS, como o criador da televisão em movimento antes de Baião e do macaco Adriano e a baixo custo. LPS, sempre aquém (digo, à frente) do seu tempo. Enquanto apresentava nomes como Toy, Marco Paulo ou ilustres desconhecidos como José Retinto, maqueiro em S. José que do alto dos seus 60 anos se tornaria uma jovem promessa do fado underground dele irradiava talento. Os seus programas eram autênticas epifanias televisivas. Recentemente recuperei o rasto de Vera Roquete, apresentadora do mítico programa Agora Escolha (agora com direito a coluna num jornal) que colocava em opção séries como Os Três Dukes, O Justiceiro ou A-team (proficuamente traduzido por esquadrão classe A - a versão dobrada é de longe mais conseguida) e que tinha como característica ganhar sempre o bloco que não queríamos. No entanto, nada de Luís Pereira de Sousa. Onde está Luís Pereira de Sousa? Que é feito desse mago do audiovisual? Andará a banhos? Estará algures entesicado pelas lamas dum SPA? Terá encetado lutas entre o sagrado e o profano? Problemas com o dasein de Heidegger? Numa atitude socrática estará a conhecer-se a si mesmo? Anda perdido pelos meandros da locução, ao que parece. Anda ocupado a narrar as façanhas sexuais dos gorilas nas selvas luxuriantes. Injustiça é o que é. Como é possível? Ele está para a minha adolescência conjuntamente com o Verão Azul como o Marco (que desgraçadamente não encontrava a mãe e talvez daí tenha surgido a ideia para o programa Ponto de Encontro) e a Heidi (que hoje fruto dos tempos teria um avô pedófilo que cobiçaria sexualmente o Pedro) estão para a minha infância. Abro um parêntesis para o Lin Chung recentemente recuperado para o pequeno écran pela SIC Radical (passe a publicidade) e homenageado em terras lusas no Ninja das Caldas. Mas voltando a LPS ainda me lembro do dia em que Alexandre Soares (ex. GNR) foi apresentar o seu último disco a um dos programas de LPS, num programa em directo. Estávamos no tempo do vinil e o playback foi feito na rotação errada, trocaram as 33rpm por 45 rpm. Brilhante! Tiveram que cortar o programa e tudo. No entanto, LPS manteve-se impávido e quando regressou dos comerciais, foi como se nada se tivesse passado ou não tivesse dado conta. De génio. A magia do directo pelas mãos do seu expoente máximo (desculpa Júlio Isidro). Para quando uma rua com o nome de LPS, ou pelo menos uma rotunda? Fica aqui a homenagem que, embora singela, permite enobrecer um nome cujo contributo para a televisão está a par, pela época que representa, da dádiva de Samantha Fox para a música. Obrigado, Luís!
A Blitzkrieg tem vindo a actualizar a sua lista de links. Se o seu link não consta da lista da Blitzkrieg (e gostaria que ele constasse na dita) envie-nos um email com o respectivo endereço e ele será adicionado.
Mudando de assunto, a Blitzkrieg esteve ontem durante todo dia pela segunda vez, desde a sua fundação, na lista do Sapo das ÚLTIMAS 25 ACTUALIZAÇÕES. Alguém pode, eventualmente, explicar o porquê do fenómeno?
Já agora alguém sabe como adicionar «feeds» num blog do sapo (obviamente de uma forma fácil, prática e se possível com desenhos)? A Blitzkrieg aspira ter uma versão RSS. Com fazer? As respostas seriam de interesse geral o que faria com que fossem publicadas na Blitzkrieg (mediante autorização). Escrevam-nos ou utilizem os comentários.
Dedicado ao Gui
Muitos terão afirmado que terá acabado, à última da hora, o feijão para fazer a dobradinha benfiquista (pensa-se que Pinto da Costa terá sido o primeiro mas a confirmar). No entanto, após o desaire, de ontem, frente aos sadinos começam, finalmente, a chegar explicações convincentes para a falta de determinação do SLB frente ao VFC. Trapatoni terá dito, em tom de confidência, aos jornalistas que sempre tinha achado má ideia insistirem na «dobradinha» quando, ele próprio preferia «raviolis». A opção terá saído cara ao clube encarnado que vê, assim, defraudados os seus intentos de conquista da Taça de Portugal. No final do jogo Mantorras terá, segundo testemunhas, oferecido aos presentes uma palete de Frize para aliviar a indisposição, não sem antes enobrecer as suas qualidades face à rival «Bubbles». Em Alvalade Dias da Cunha terá dito (depois de previamente acordado) para, no clube rival, levarem a coisa num espírito de amizade (como no SCP) e para almoçarem grelhados à base de «Sarrdinha» ou «Carrapau» que sempre acalma a azia.
Fonte consultada: Mais Olhos que Barriga
Vaticano, Maio, 2005.
Saudações, almas transviadas... Eis o pastor alemão que luta contra o tresmalhe do rebanho. Espero que esta vos vá encontrar de saúde que nós por cá todos bem. Embora com o novo cargo, deva confessar (por assim dizer) que não tenho tempo para seguir o vosso trabalho, pelo qual se devem penitenciar venho, num espírito de boa vontade, propor-lhes a troca do vosso nome «Blitzkrieg» (guerra relâmpago) por «guerra santa», muito mais adequado. Vós sois jovens e, ainda, é possível abandonar a ímpia via da danação e esse seria um pequeno gesto para a redenção. Por aqui tudo bem, à excepção dum reumáticozito que me atormenta por via da humidade da casa. Nada, no entanto, que eu não consiga esquecer, por entre as leituras das «Confissões» de Santo Agostinho e os tapetes de Arraiolos que aprendi, recentemente, a fazer na Junta de Freguesia. Aquando da escolha do conclave, com a história do fumo branco, também me foi um bocado do dito para as vistas que ficaram com um rosado acaracterístico que só passou com aplicações bi-diárias de soro fisiológico feito por virgens tailandesas. Tirando isso nada há a acrescentar. Sem mais de momento despeço-me com amizade. Evitem os documentários de Michael Moore, não gozem com os Amish, depositem a vossa devoção na Nossa Sra. dos Entrevados, fujam ao demo e às gorduras que nada de bom vos trazem. Que Deus vos acompanhe e inspire.
Nota: Em virtude do conteúdo expresso, a Blitzkrieg disponibiliza a Coluna dos ofendidos e aconselha a leitura atenta dos seus estatutos.
Mariete é uma dinâmica sopeira da Damaia, que nos inclui nas orações diárias, logo após a higiene íntima, e escreveu-nos a desejar felicidades. Isso ou não tinha melhor que fazer (não é explícito na carta). Sem opinião formada acerca da «questão dos Universais», Mariete faz pastéis de massa tenra, para fora, e o seu herói é, ontem como hoje, o Piranha da série o Verão Azul (com o qual se identifica por partilha de proporções) isto, embora ache Ratzinger bastante apessoado, conforme nos confidenciou. Mariete esteve noiva de um contabilista de aparência quase idêntica a Roger Moore, embora manco, que morreu devorado por térmitas, em Amarante, segundo foi informada pela família do noivo, que não apoiava o namoro, supostamente após o ocorrido. Nunca se tendo recomposto do desaire amoroso, Mariete encontrou na religião a salvação. A sua história correu mundo e Oprah, tendo tomado conhecimento do sucedido, enviou-lhe um conjunto de facas de cozinha, em aço de Toledo, para que Mariete soubesse que existem alternativas. Fica a carta que nos dirigiu:
Damaia, Maio, 2005.
Olá, o meu nome é Mariete. Sou uma pessoa simples. Gosto de música Mariachi e casacos com cotoveleiras. Venho agradecer-lhes a oportunidade, devido ao conteúdo dos vossos textos, de vos falar da grandiosa obra do espírito santo. O cura da minha aldeia, que tinha umas mãos completamente papudas, falou-me do espírito santo ainda em pequena e um dia, quando menos esperava, ele desceu sobre mim (o espírito santo). O espírito santo desceu sobre mim quando eu tinha 9 anos e foi um momento tão intenso que me curou duma praga de piolhos onde nem o Quitoso fazia mossa. A minha tia Ludmila, um espírito puro, que durante muito tempo achou que Pizza Hut era o apelido de uma importante família como os Kennedys que enfrentava destemidamente os seus arqui-rivais Mac Donalds, comprou logo uma vela do meu tamanho, em agradecimento e graças a ela o meu peito cresceu desmesuradamente. Tal como a mim, o mesmo pode suceder-vos, basta que deixem a porta aberta para o espírito santo entrar. Até sempre.
É pessoal e intransmissível. Rija como o ferro. Quase vitalícia. Mais poderosa que uma locomotiva. Mais rápida do que uma bala. Não, não é o super-homem é a: SOGRA. Não é um novo super-herói. É, pelo contrário, uma realidade que existe quase desde que o mundo é mundo, não fora Eva ter nascido de costela de Adão em vez de ventre materno. É sabido, pela força da tradição, que cada noiva trás atrelada, para o seu casamento, a respectiva mãe, que pelos votos conjugais se torna a S-O-G-R-A. A tradição mudou e já não, são muitas as práticas casamenteiras do passado que se mantêm. Por exemplo, as adeptas do enxoval com as rendas, mantas, cortinados, pratas, colchas e tapetes, moram nas brumas do antigamente. Nem vamos falar da questão do sexo antes do casamento pois isso é algo que remonta ao início da humanidade. No entanto , uma tradição manteve-se incólume à passagem do tempo: a sogra. A sogra é a figura institucional que simboliza as dificuldades do casamento. Uma das principais fontes de embaraço na relação, já por si atribulada, entre solteiros e casados. Ela é a matriarca da desgraça. Um entrave ao enlace matrimonial. A razão para não temer o pai da noiva mesmo que ele tenha precedentes violentos. A sogra é um empecilho à sanidade conjugal, não é uma pedra no sapato, mas antes uma pedreira inteira e de granito. É a fava do casamento, partindo do pressuposto, nem sempre exacto, de que a filha é o brinde. Não pode ser devolvida, moldada ou triturada. Vem para ficar. É um teste à paciência e à tentação de cometer homicídio. Todos têm a sua e, infelizmente, não pode ser partilhada. As suas vítimas são anónimas. Não existem discriminações raciais, sociais ou espirituais. Existem baixas em todas as facções. Ninguém é excluído. Não existem preferências nem territórios pré-determinados. Infelizmente não está em vias de extinção. Os dinossauros foram, mas ela ficou. Lamento, informar mas cada um com a sua, não dá sequer para trocar. Felizmente que a minha é um doce...Que pena que eu tenho de si!
Um tipo de meia-idade gesticulava ritmadamente numa cadência semelhante aos bonecos articulados que se vendem nas feiras. No seu peito por entre os tufos de pêlo, um Cristo baloiçava num fio de ouro, ou quase. O fulano deambulava por entre caixas de ferramentas de uma divisão repleta de fios, fichas, berbequins, alicates, martelos, turqueses, macacos e latas. A divisão era pequena. Pequena mas recheada de apetrechos. Demasiado recheada. Dir-se-ia elástica. Chaves, chavinhas e chavetas. De todas as cores, tamanhos e formatos. Uma oficina caseira moldada à imagem do dono. O adjectivo que melhor a definia era: mólhada. Melhor dizendo, tudo à mólhada. Dentro dela, um carro uivava, como se de uma fera enjaulada se tratasse. Libertava gases em quantidades tais que faziam os presentes, devido à exiguidade do local, apresentar um tom arroxeado, próprio daqueles que estão prontos a sucumbir por asfixia. O proprietário do carro, o mesmo do espaço, acabara minutos antes de relatar como começara a sofrer da «espinha», enfermidade de que padecia desde gaiato por culpa de sua mãe, que rondava agora os 90 anos e que estava praticamente surda por culpa das proezas velocípedes do filho, que não o protegera de uma «frealdade» a qual o deixara irrecuperavelmente incapacitado para a competição automóvel. Poucos foram os que perceberam ao que ele se referia. Mal terminara o relato, transferira todo o seu engenho retórico para a explicação de como conseguira arrancar mais duas dezenas de km h ao bólide, qualquer coisa relacionada com uma bomba importada da Indonésia, não sei precisar. Nada que se comparasse, no entanto, com a caixa de velocidades de proveniência tailandesa que era a inveja da malta do clube de tuning da terra, do qual ele era membro fundador e presidente da assembleia. O motor da viatura era alimentado com o cuidado de um atleta de alta competição, uma mistura à base de aditivos e suplementos que faziam, segundo os especialistas, disparar as performances. Devia ser essa a origem dos gases. O ronronar indicava que o carro de origem pouco ou nada tinha. A situação impossibilitava as inspecções periódicas, mas isso não era importante. As luzes dianteiras deixavam adivinhar que se ele vivesse numa zona costeira facilmente conseguiria dirigir toda a navegação através da luminária do veículo, que devia ter em luz a capacidade de qualquer farol que se preze. A buzina tinha sido uma oferta de um amigo, o qual tinha ofertado a dita após a obter num leilão da CP. Tinha pertencido a uma automotora ao serviço daquela empresa que estava agora inactiva. Os pneus tinham sido adquiridos numa feira de salvados em Espanha e embora fossem mais apropriados para tractor davam um ar rústico ao conjunto. A cor não tinha sido deixada ao acaso e era uma enorme mancha num tom indescritível, de uma marca cuja fábrica falira e que quase fora o seu patrocinador. A tinta era própria para suportar os climas tórridos de regiões como o Sahara, dava muito jeito se algum dia ele fosse para essas bandas, era tão provável como o M. Shumacher entrar por ali dentro, mas o preço da tinta compensava tudo. Na sua globalidade o carro tinha a imagem do seu criador. Nada combinava mas impressionava pelas piores razões, só isso é já meia vitória.
Existem algumas características (na maioria já antigas) que, pela sua importância, se destacam como mais valias fundamentais para o condutor português do século XXI. O «bom» condutor português é um ágil domador do asfalto, o qual é incapaz de lhe esconder segredos. Ele possui vocação inata. Uma espécie de cromossoma «A» (de acelera) junta-se ao restante material genético. Ele é atrevido nas rotundas. Desembaraçado em qualquer situação. Vivaço nas ultrapassagens. Pródigo nos palavrões, quando deles necessita, os quais conferem colorido à sua condução já por si agressiva. Tem atitude. Muita atitude. É, como ninguém, dotado de reflexos. Nervoso com o acelerador. Firme no travão. Generoso na embraiagem. Gosta de buzinas polifónicas ou quase sinfónicas. É criativo no estacionamento. Tem olho. Muito olho. Quase parece possuir um na nuca. Mãos delicadas mas vigorosas para o volante. Coloca em alvoroço os adeptos das baixas velocidades. Estremece ao encontro da velocidade controlada. Evita o contacto com os condutores de fim-de-semana. Teme as mossas. Os riscos. Os arranhões na pintura. Para si o carro é o prolongamento da sua virilidade. Investe nele proporcionalmente tempo e dinheiro. Cobre-o de afecto e aparatos electrónicos e de liga leve. Decora-o. Enverniza-o. Fá-lo brilhar. Reluzir debaixo dos raios de sol. Dá-lhe tecto, que é como quem diz garagem. Oferece-lhe aditivos e gasolina ou gasóleo à descrição. Paga-lhe as portagens e tem sempre os seus impostos em dia. Ele não fala mas adorava ouvi-lo. Vê-lhe o nível do óleo. Compra-o das melhores marcas. Dá-lhe ar quando este lhe falta. Conhece-lhe as manhas. Puxa-lhe pelas mudanças. Sente-lhe a pulsação e conhece-lhe a força. Trata-o por tu mas idolatra-o como a deus. Vive para ele e às vezes até dá a vida por ele. É o «bom» condutor português.
Há uma técnica tipicamente portuguesa que vem na linha do coçar os tomates com ar de ostentação, cuspir para o chão e dizer «se tivesse casca era ovo» e fazer questão de cheirar mal dos sovacos, sempre que se utilizam transportes públicos, que é o flirt. No caso português este pode ser traduzido como o «atirar bocas às gajas». O «atirar bocas às gajas» traduz-se na convicção, secularmente passada de pais para filhos, de que as mulheres gostam que as apalpem em público e que lhe chamem mulas e boazonas. O flirt português possui características próprias que o distinguem do flirt inglês mais fleumático e como tal não tão expansivo. O flirt português tem uma cultura, uma atitude e um vocabulário próprios é isso que lhe dá um ar distinto. O artista do flirt é um autodidacta embora possua como referências os vizinhos que têm diploma de doutoramento no ramo. Ele é um perfeccionista e como tal vai inovando e enriquecendo o seu leque de esquemas com tácticas sempre mais rebuscadas. A Técnica primária é a chamada técnica do arrasto que se traduz na máxima «tudo o que vem à rede é peixe». A regra número um é que não existem territórios pré-determinados, não existem espaços ideais. A acção pode desenrolar-se numa discoteca, numa novena ou quando a malta vai à bola. Este último local tem a vantagem de ser um sítio onde se pode dar largas às demonstrações de virilidade quer chamando nomes ao árbitro, bebendo litros e litros de cerveja, quer pelo medir o volume de palavrões ditos durante o período em que decorre o desafio. O primeiro contacto é fundamental. Ele é sempre visual. Já se têm dado, todavia, casos em que a fulana é estrábica e estava a olhar para a estátua do Marquês de Pombal. Este caso já está, no entanto, previsto na técnica do arrasto sendo contabilizado como dano colateral. Quanto às chamadas expressões idiomáticas, temos como caso de garantido e comprovado de sucesso frases como: «papava-te toda», «és muita boa», «tens irmã? Trás também!» entre outras do mesmo calibre. Felizmente o artista do flirt tipicamente português não está em risco de desaparecer como outros artífices como é o caso dos calceteiros. Pelo contrário existe todo um conjunto de situações que permitem a este ilustre representante da cultura portuguesa subsistir e permanecer em estado de graça.
O Flirt e o piropo
"Adeus ó boa!" Nada melhor do que esta pérola de ancestral sageza para ilustrar o grito de desejo de acasalamento. Herdado de tempos imemoriais, ele conquista para a necessidade de procriação, das fileiras da indecisão, mulheres para quem ele é um autêntico rastilho que inflama a tímida libido. Obviamente que falamos do piropo. Incompreendido, sem dúvida. Eficaz é, no mínimo, questionável. O piropo é, no entanto, incontornável e a sua natureza emblemática faz dele uma poderosa frota e singular armada invencível na batalha da sedução. Embora difamado o piropo continua a possuir a delicadeza e candura que fizeram dele o instrumento preferido da cobiça. Ele é um frémito de paixão. Um anúncio ao mundo que põe a nu os propósitos do seu autor. De variadas estirpes, o piropo português tem uma linhagem distinta do chinês, ou do seu congénere inglês, mais fleumático. No entanto, em termos gerais, o piropo é uma declaração de intenções partilhada e comungada por todos os que se encontrem no seu regaço. São um pregão que fere o horizonte e desfere nele um golpe impossível de ocultar. Ele brame nos tímpanos do seu auditório e, em particular, da sua presa uma apaixonada mensagem cuja poesia era impossível ficar ocultada pelo peso da vergonha. O verbo que melhor traduz o acto de pronunciar o piropo será verberrar, neologismo que tem por significação anunciar um propósito por meio do verbo (palavra, na índole bíblica) berrando. Ele é uma tomada de posição assumida perante pares. Frases como "se tu quisesses era para toda a vida", são um viril grito de intenções, lançado de um qualquer robusto andaime, que rompe o ar com a mesma pujança que o Imã de centenário minarete convoca os fiéis para a oração a Alá. O piropo é um património, que só não tem estatuto perante a UNESCO por não estar em extinção ou ser um fenómeno raro. Ao invés é um território desbravado por todas as culturas, em todas as idades, em todas as épocas e imune à geografia. Desde o tempo das pirâmides em que por entre a pedra rompiam cânticos como:"comigo era a estrear", que há registos do piropo. Heródoto conhecia-o. Homero comentava-o. As rainhas coravam perante eles. Os eunucos temiam-nos. Mas do que frases são hoje, como ontem, poderosas armas que ontem rivalizavam com catapultas e hoje com o gás sarine. O piropo desbrava o anonimato. Se Hermes era o mensageiro dos deuses o piropo é a estrela que anuncia a boa nova. O admirador do piropo tem nervos de aço e guelra de tenor. Ele é o arauto da gramática sexual. O exímio conhecedor da linguagem do desejo. O piropo faz parte do homem e o homem faz parte do piropo. A questão é de tal modo complexa que não sabe a origem exacta para este autêntico grito do ipiranga de cariz sexual. É uma questão só comparável à do ovo e da galinha e quem chocou o quê. Porém, uma coisa toda a gente sabe, o piropo existe desde que existem obras. O primeiro piropo tem a mesma idade da primeira construção humana. Isto é um facto inegável. A obra está para o piropo como este está para a mulher, são inseparáveis. A diáspora do piropo despontou com a epopeia da construção civil. Onde houver obra há piropo e onde houver piropo obra. Por isso ele nunca morrerá. Ele é uma autêntica argamassa masculina, inabalável ao tempo e às modas e imprescindível ao flirt.
Toda a gente gosta e precisa de férias. Cada nacionalidade larga nessa matéria âncora com características próprias:
-o inglês besunta-se em creme, demolha em cerveja e torra ao sol até atingir tonalidades de gamba ou lagosta;
-o alemão é discreto, silencioso, numa palavra, não chateia;
-e o português?
Bem, as férias lusas são uma instituição, sobejamente conhecida. São planeadas com rigores de orçamento de estado (Sem ironias!). Com pormenores de filigrana. Elas têm início com a manutenção do complexo de veraneio onde habitualmente a família tipo portuguesa repousa as peles depois do extenuante dia de tostagem ao sol, na costa portuguesa. Ele foi herdado de tempos imemoriais, que remontam a D. Afonso Henrique, e alojado, desde à seis gerações, num parque de campismo clandestino, onde ocupa uma área de seis hectares distribuídos por:
-Sistema de caravanas acopladas, género condomínio fechado.
-Quatro tendas de campanha com toldos que no todo perfazem uma área de 900 metros quadrados.
-50 fornos eléctricos Camping gás.
-Complexo de refrigeração constituído por 25 arcas frigoríficas, onde serão congelados os mantimentos.
-Pequena vinoteca guarnecida com 5000 garrafas de variadas castas e anos.
-Bunker com capacidade para 10 famílias.
-Chapéus de sol em tons variados, espalhados pelo empreendimento.
-Zona de chill out em aparite importado.
-Complexo termal, com água transportada através de um sistema de canais, com a dimensão do aqueduto das águas livres, à base de mangueiras de doze polegadas incrustadas num motor em forma de turbina a extrair água 24h por dia dum pequeno pântano circundante a qual depois de bombeada é conduzida por aspressores dispostos ao longo do perímetro.
-Construções apalaçadas em platex.
-Sistema coberto de piscinas olímpicas em PVC.
Com o calor o dia aproxima-se!
O português assume uma postura altiva em toda actividade de que faz vida. Não tem mal, mas talvez por isso qualquer profissão, da mais nobre à mais banal tenha laivos de técnica superior, transformando Portugal numa enorme tecnolândia de exacerbada dimensão e empolada competência. Assim temos:
-Técnica de zonas de concentração capilar situadas acima do pescoço(cabeleireira);
-Técnica de zonas de concentração capilar situadas abaixo do cocuruto (depiladora);
- Técnico de assentamento de paralelípipedos rochosos (calceteiro);
- Técnica de limpeza e lavagem ao nível das construções com degraus (senhora que lava as escadas do prédio).
-Técnico de apanha de resíduos ao nível do solo (varredor).
-Técnico de arrumação de viaturas em espaços improváveis e de dimensão exígua (arrumador). Etc,etc.
O «olhómetro» é um instrumento de medida, estritamente português, que supera em rigor e rapidez os inquéritos da Universidade Católica e as projecções da SIC. Mais hábil que a comum estatística, mais promissor que um orçamento geral de estado o «olhómetro» é um eficiente meio, barato e asséptico que pode ser usado nas mais variadas áreas, da economia à política, das manobras automobilísticas à culinária. Sem exigências de design o «olhómetro» faz parte do quotidiano luso a par da água-pé e do bacalhau à Zé do Pipo. Sem o olhómetro os portugueses estariam perdidos no universo da quantificação. O «olhómetro» valida o «mais ou menos X» e o q.b., é a bússola da medida. Indica invariavelmente e sem interferências ou margem de erro o norte métrico. E é nosso!
Portugal é o único país para quem a certeza não é condição essencial para tomar uma decisão, seja ela política, económica ou de lana-caprina. Ao invés disso temos o «calhas». Ele é o barómetro luso, a bússola que guia as quinas nacionais. O «calhas» é uma grande instituição portuguesa, só comparável ao «depois se vê». Grandes empreendimentos, efectuados em Portugal, foram levados a cabo tendo como premissa base o «vamos ver se calha» seguida de perto pela sua congénere «se não der depois se vê». O «calhas» é o sal que condimenta qualquer decisão lusa. Dá-lhe um «je ne sais quois» de probabilidade, suficiente para basearmos qualquer opção, mesmo que de vida ou morte. A situação não é nova e remonta ao tempo das descobertas, estaríamos então em pleno século XV, quando, segundo consta, ao ser apresentado o traçado daquilo que viria a ser conhecido por Tratado de Tordesilhas, por alturas da dinastia de Avis, aquando do reinado de D. João II, alguém disse a El rei «é bem provável que achemos o Brasil, se isto ficar assim» ao que, segundo reza a lenda, El rei terá exclamado «pode ser que calhe, senão depois logo se vê». O vento encheu as velas aos intrépidos corcéis náuticos portugueses, que é como quem diz às embarcações lusas e fê-las ancorar naquela que seria mais tarde a super-potência do samba e El Dourado do guaraná. El rei não só tinha razão, como anos mais tarde, a essas paragens, fomos buscar o Iran Costa e o nosso seleccionador. O primeiro dar-nos-ia o bicho e o segundo fazer-nos-ia vice-campeões da Europa e por uma nesga não nos oferecia o título europeu. Abençoado o dinheiro gasto em caravelas. Pode ser que para a próxima «calhe», senão «depois se vê» .
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